domingo, 12 de novembro de 2006

O boquete de Mariângela-Conto de Mão Branca


O boquete de Mariângela

Era uma moça tímida, dezesseis anos, recatada, queria distância dos homens, ainda não sabia que era formosa o suficiente para atrair a proximidade dos machos.
Cabelos lisos castanhos, até a cintura fina, bem branquinha, quase rosa, uma delicadeza. Não era virgem, claro, mas havia desgostado de sexo. O namorado era pequeno, muito rápido e sem experiência.
Deixou o assunto na memória.
Andava para casa pelo matagal atrás do colégio.
De sopetão, foi agarrada pela cintura e levantada aos ombros de Luís Inácio. Ele era um mineiro baixinho e troncudo, grosseiro e estúpido, morava na região, conhecia Mariângela de vista. Mesmo sendo evangélico, não resistiu ao demo e resolveu pegar a moça. Não seria a primeira. Armou dia e hora e a esperou no mato. Agora, com ela ao ombro, o serviço estava fácil. Arrastou a moça até o capão, arrancou a camisa da escola e o sutiã pelo pescoço. Com dois tapas a mandou calar-se. Mais um para tirar a calcinha. Deitou-se sobre ela e empurrou o pau. Não entrou, nem com força. Muito seco. Puxou o catarro e o cuspe, segurou a glande e acertou a cusparada. Espalhou pelos lados e a penetrou de uma só vez, direto, fundo. Se fartou por dois minutos. Gozou. Dentro. Ela ficou só, nua, usada e abandonada no mato como um saco de lixo. Violentada. O pior, contudo, foi o catarro no pênis do agressor, que a umedeceu e a invadiu sem aviso. Um asco, repugnante, transgressivo.
O estupro ela sabia que iria superar, era nova e forte, o catarro, contudo, a enjoou a tal ponto que vomitou. Luís Inácio não se satisfez. A vontade por Mariângela aumentou, lembrava da pele branca, os mamilos róseos, a vagina clara. Masturbava-se furiosamentecom a imagem da moça. Decidiu pegá-la mais uma vez. A última. Mas se ela o reconhecesse, azar, seria então certamente a última vez, a mataria. Não seria a primeira.
Seguiu a moça de longe. Vivia mais acabrunhada, andava sempre escondida, assustada. O cabelo preso e as roupas largas escondiam sua beleza, mas Luís Inácio sabia o que iria encontrar. Cada lembrança, uma punheta. Durante dias, semanas, esperou a oportunidade.
Ela chegou numa fria segunda-feira, o homem sabia que ela ficaria sozinha em casa. Pulou o muro, invadiu a janela e achou a moça em seu quarto, lendo um livro. A surpresa de Mariângela foi tamanha que ficou afônica. O homem pulou sobre ela, arrancou sua roupa, a bolinou, lambeu os peitos, preparou-a de quatro.
Iria puxar o catarro para umedecer o pau.
- Posso fazer uma coisa por você. - Disse a garota, finalmente.
Ela havia pensado muito sobre o acontecido, amadureceu a idéia, aprendeu com os erros. Se iria ser estuprada e talvez coisa pior, ao menos iria se divertir durante os momentos finais.
- Vi num filme pornô na internet. É com a boca.
O estuprador a olhou indeciso. Sabia que muitas acabavam sentindo prazer durante a violação, a vagina as traía e se lubrificava, reagindo ao ato sexual. Será que aquela havia gostado a ponto de pensar nele, desejá-lo, imaginar novas trepadas, selvagens, mais depravadas? Sim, ela havia gostado, queria mais. Era uma vagabunda como todas as outras. Por isso ele as pegava sem dó, na força. Todas eram vagabundas, traidoras, gostavam de pica.
- Vem cá! - Acariciou o rosto de menina e a puxou ao caralho rijo.
Ela o segurou delicadamente e depois o firmou na mão. Olhou o membro, sorriu, levantou os olhos para Luís Inácio. Com os doces lábios úmidos, beijou o cabeça e a abocanhou. Fitou os olhos satisfeitos nos do homem que quase revirava as vistas de prazer. Ela abrigou mais um tanto do pênis na boca. Prendeu firmemente com os lábios. E mordeu.
A dentada dilacerou a carne. Mariângela serrou os dentes para lacerar as fibras resistentes. Se iria ser violentada ou talvez coisa pior, ao menos iria se divertir, pensou enquanto decepava o pau de seu agressor. O sangue lhe esguichou na cara como uma mangueira de jardim.
O homem, que estava cálido de prazer quando sentiu a fisgada no membro, compreendeu que perderia o pau pela força da mordida. Nem tentou bater na mulher para soltá-lo, não adiantaria. Quando ela se desprendeu dele, ensangüentada, a boca cheia, apavorou-se. Sabia que estava mutilado, era um homem capado. Um inválido e imprestável eunuco. Iria matar a mulher, aquela vaca, se pudesse arrebentaria seu cu de tanto meter.
O pensamento o atordoou. Não sabia o que fazer, tentava estancar o sangue prendendo o toco de pica que lhe restou com os dedos. Estava ficando com frio. Queria bater nela, mas enfraquecia.
Ela respirou fundo, puxou o ar da garganta e cuspiu a glande no chão, aos pés do dono.
- Gostou? - Sorriu suavemente a moça, os lábios pingando sangue, enxugou com as costas da mão.
- Eu vi na internet. - A expressão assumiu uma tonalidade maligna, em seu rosto surgiu uma sombra.
- Num site de sexo bizarro.
Saiu gritando do quarto, da casa, ganhou a rua. Pediu socorro, mas sabia que estava livre, vingada de um trauma que talvez a perseguisse durante a vida. Estava calma, satisfeita até.
- Saciada. - Murmurou. E limpou o resto de sangue nos lábios.

2 comentários:

Ana Maria disse...

um texto bem contado e com a palavra afiada no bico da caneta.

Kleber disse...

um conto instigante, que remete a um pensamento longe do assumido pelo texto.
Adorei