domingo, 8 de julho de 2007

João da Silva em apuros - Cap V



João passou a noite em claro. Tinha ouvido histórias malucas sobre queimas de arquivos durante toda sua vida. Agora parecia que conviveria com essa psicose. O casal não tinha chegado a nenhuma conclusão. Decidiram que nada deveria ser feito, iria esperar e rezar. O Prefeito estava enfrentando um processo instaurado por um dos vereadores da Câmara Municipal, o chefe como fiel cabo eleitoral não ia se arriscar a um escândalo nesse momento. João se apoiou nessa idéia.
No dia seguinte chegou ao escritório no horário de sempre quando reparou em um funcionário novo na mesa ao lado da sua. Era um rapaz claro, de uns 30 anos de idade, vestido com jaleco branco.
-Quem é a figura? Perguntou a Ana que estava a sua frente.
-O novo enfermeiro.
-Enfermeiro? Não sabia que viria um.
-Ninguém sabia. Parece que foi uma decisão de última hora.
-Para que precisamos de um enfermeiro em um escritório de contabilidade?
-Ora, sei lá. Pergunte ao chefe. Vai ver ele percebeu que a idade chegou. Deu uma risada zombeteira.
João estava intrigado. Era incomum trazer um funcionário novo assim tão rápido de outro setor. Estava acostumado ao serviço público e suas burocracias. Além do mais um enfermeiro. Muito estranho. Mais estranho ainda foram as perguntas.
-Olá. Sou Raul, você é o João, não é mesmo?
-Me conhece?
-O chefinho me deu as dicas. Vou fazer a ficha de todos por aqui.
-Para que?
-Precaução. Uma espécie de ficha médica. Temos que estar em plena forma para o serviço.
-Eu estou muito ocupado. Em outra hora respondo suas perguntas.
João se afastou e ainda pode ver o sorriso sarcástico do rapaz enquanto o acompanhava com o olhar.
A tarde todos iam embora e João ficava sozinho. Era o único que trabalhava 8 horas por dia. Agora tinha a companhia de Raul. Estava muito tenso com isso.
-Você é alérgico a algum medicamento?
-Por que quer saber?
-Para a sua ficha ora. Calma. To fazendo meu trabalho.
Peguei minhas coisas e fui para casa. Não ia trabalhar com medo de ser atacado a cada instante.
-Você fez mal, ele não ia fazer nada agora. Ia dar muito na vista.
-Queria ver você no meu lugar.
-Tenha calma, pense. Ele pode estar fazendo terrorismo apenas. Ninguém ia se sujar por um João Ninguém.
-Ora...
-João Ninguém, sim senhor. Pensa. É a sua palavra contra a de um político importante. Ninguém se suja dessa forma. Estão querendo te assustar.
-Tomara você esteja certa.
No dia seguinte o trabalho transcorreu normalmente e a tarde:
-Por que você fica tenso quando estamos sozinhos? Raul tinha um sorriso estranho nos lábios.
-Eu? Tenso? Não sei do que está falando.
-Não? Raul levantou e dirigiu-se até sua cadeira. João ia levantar mas o enfermeiro foi mais rápido e lhe deu uma chave de pescoço.
-Ai...Me larga! Que pretende?
-Basta uma forçadinha aqui e...
-Por favor...


(continua)

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