terça-feira, 15 de agosto de 2006

Mãos Limpas-conto de Me Morte e Mão Branca


Mãos limpas
O vestido fino cobria quase toda a pele, revelando apenas as formas sensuais. Ela consultou o bilhete e procurou o nome da rua, seus movimentos eram como o de uma deusa grega posando para o artista que a eternizaria como a mais perfeita figura humana feminina. E como era feminina!
A tez clara, corada, contrastava com os longos cabelos ruivos escuros, meio cacheados, que balançavam com o movimento. Os ombros retos, arredondados, sobre os grandes seios arrebitados, desafiando a gravidade, e cheios como melões maduros. Na fina cintura via-se o umbigo - o vestido era em duas peças - , pequeno e apertadinho. Alguns rapazes imaginavam se o que vinha logo abaixo não teria a mesma aparência. O quadril redondo era adornado por um bumbum cheio, gracioso e lisinho.
Sou fogo
Dou jogo
Cadela de raça!
Me quer
Teu gozo
Cheiro de cachaça!
Decida
Me quer lânguida
Ou lambida?
Devassa
Ou de virgem
Andar e graça?
Paulo ficou boquiaberto, nunca vira mulher tão linda! E gostosa! Não era como essas malhadas de academia, era uma mulher natural, livre de amarras. Seguiu-a com os olhos. Ela o mirou e empurrou o próprio queixo, sorrindo, mostrando-o que ele agia como um pateta. Paulo ficou envergonhado. A mulher desceu a rua e ele pensou em segui-la mas não saberia o que dizer.
De repente, ela se virou e voltou direto para ele.
- Sabe onde fica a rua sete? – Uma voz impostada, como a de uma garota de telemarketing. Pensou nela gemendo em seu ouvido e quase gemeu também.
- Ah? – Foi o que conseguiu responder, hipnotizado pelos grandes olhos verdes que emolduravam um pequeno e reto nariz. A boca, ah, carnuda, desenhada na pele, sorrindo como um raio de sol.
- Pode me mostrar? – Ela sabia o efeito que tinha sobre os homens. E aquele nem era de se dispensar: em forma, grandalhão, um tanto cabeçudo mas até bonito.
- Ah-hã! – Sentiu-se feliz por dobrar seu vocabulário. Foi atrás dela, indicando as ruas e sorrindo, ainda de boca aberta.
Ela mostrou o endereço e explicou que precisava resolver um problema. Paulo pensava no suave perfume de flores do campo que exalava do atraente pescoço da mulher.
- É ali. – Falou Paulo, despregando os olhos dela apenas por alguns segundos.
- Você pode me acompanhar? – Ela pediu com um suave sorriso, quase suplicante. Como poderia ele recusar se já estava enfeitiçado? – É a casa do meu padrasto, ele é um pouco violento. – Abaixou os olhos, como se rememorasse fatos tristes. Paulo teve vontade de arrebentar a porta com um chute e quebrar tudo lá dentro.
- Eu te protejo! – Falou, triunfante, pois sabia que seu tamanho assustava os adversários e atraia as pequenas.
Ela sorriu, agradecida, e ele quase fechou os olhos para gravar em sua mente aquela expressão. Na porta da casa, ela disse:
-Entre comigo. Tenho que apanhar uns documentos, - Baixou os olhos. – mas tenho medo dele.- Parou de falar e duas lágrimas rolaram. Paulo sentiu uma vontade louca de consolá-la e a abraçou.
-Não chore, por favor. – Puxou-a para si e de leve secou seu rosto. A moça aninhou-se em seu pescoço. Paulo estava perplexo! A excitação que esse contato lhe causou foi enorme. Sentiu todos seus poros suando, coração acelerado, membro enrijecendo. – Que crápula eu sou! - Sua consciência pesava. Ela, ali, enroscada nele, chorando, e ele sentindo seu corpo quente, desejando possui-la. Apertou-a contra si e sem querer, gemeu baixinho. Percebendo a excitação, a moça ergueu os olhos.
- Perdão, deve estar me achando uma boba. - Tentou se afastar mas Paulo a segurou.
- Fica. - Foi o que conseguiu pronunciar.
- Venha. - Ela pegou sua mão e dirigiu-se à porta lateral.
Te vi ali...
Um desejo na pele,
Teu corpo, desejo e ruína
Te sentir!
Poder tocar
Em tuas formas!
Ser eu e me perder!
Te querer,
Te ter!
Tô com fome de ti!
Se toco alucino!
Como meio menino...
Felina, fêmea, mulher,
Minha febre!
Te olhei assim!
E molhado, suado!
Imaginei teus seios
E tua vontade!
Me fartar!
Assim que entraram na casa, Paulo a puxou para si e gentilmente afagou seus cabelos.
- Ainda não sei seu nome...
- Manuela. Mas me chamam de Manu. E você?
- Paulo, ao seu dispor. – Não quis ser formal, mas ficava mais atrapalhado a cada minuto.
- Fique aqui, Paulo. Vou ver se meu padrasto está em casa. - Paulo sentou-se no sofá. Alguns minutos depois Manu apareceu vestida com um fino roupão de seda.
- Desculpe, eu sentia calor. - Paulo não conseguia tirar os olhos daquelas formas voluptuosas.
- Você é linda! – Aproximou-se e a puxou para si.
- Por favor, - Ela virou o rosto. - não quero que pense mal de mim.
- Mal? Por que? - Ele notou o brilho que surgira nos olhos da garota eram de desejo. Apertou mais o corpo contra si.
-Você é linda! Eu sinto uma coisa... Nunca senti tanto desejo por uma mulher antes. - Sua boca procurou aqueles lábios carnudos e se beijaram selvagemente, suas línguas num balé frenético. Ergueu de leve o roupão e Manuela gemeu. Era o sinal verde! Arrancou a camisa enquanto sentia as mãos finas da garota abrindo seu zíper da calça.
- Linda, eu te quero!
Roupas espalhadas pelo chão. Paulo levantou Manuela nos braços e foi a procura de um quarto.
- Tem certeza de que estamos a sós? -
- Sim, querido! Estamos sós! - Deitou a moça na cama e admirou suas formas perfeitas, era uma linda mulher. Começou a beijá-la, sôfrego, primeiro os pés, lambendo os dedinhos, foi subindo pelas coxas firmes, sentindo uma vontade enorme de saborear seu sexo. Manuela estava entregue, seus gemidos inebriavam Paulo. Ele passou a ponta da língua úmida no clitóris e, lentamente, abocanhou a vagina como quem se farta com o mais doce mel. Acariciou os seios sem parar de lamber aqueles deleitosos lábios. Manu revirava os olhos e abria mais os joelhos, esperando sentir cada vez mais fundo aquele homem. Foi a gota d’água. Paulo subiu sobre ela como um cão no cio possuído de desejo, beijando-lhe a barriga, os seios, queria sentir cada vez mais o sabor da garota.
- Espera, quero sentir seu gosto também! - Manuela o devorou com a boca carnuda. Era uma fêmea voraz. Beijava e sugava com tenacidade, ele não resistiria muito tempo. Ela subia a língua úmida até o umbigo, brincava com as bolas, molhava os lábios sorrindo e voltava ao ataque, com a ponta da língua na glande, fazendo rápidos movimento circulares, alguns beijinhos. Sabia que ele estava entregue. Ela foi perfeita! Paulo não segurou mais o gozo, era um sonho! Nunca teve um sexo oral tão bom. Sentiu tontura quando ela sugou tudo, sem frescura, uma fêmea verdadeira, como ele sempre imaginou nas suas fantasias mais loucas. Passaram a noite ali, sem pudores, ela inteirinha sua.
Sonhos se perdem
Se a imaginação os espera...
Um alvo na cama, estirado,
Um teto solar entreaberto,
Refletindo indícios claros
De que vai amanhecer!
E o corpo nu apagado
Cobre os olhos desnudos,
Dos pêlos a um desejo absurdo
De absorver, tomar, comer,
Antes que a consciência retorne...
Beijos ressequidos, breves,
Dos pés à cabeça, uma sede louca
Tomando o que a mim foi ofertado
Pôr te ver ali, adormecido
Para meu gozo e meu prazer!
Sugo mil cálices em teu contorno
E enquanto não te seco total
E depravadamente, não largo.
Sem deixar vestígios, serro de vez
Os lábios, numa insensatez...
Tomei tua essência, roubei-te
E de tuas forças alimentei-me
Caiu prostrado nos panos brancos
Enquanto fugi de volta à vida
Na espera de teus agrados
Paulo chegou a adormecer. Quando despertou viu os primeiros raios de sol pela fresta da janela. Deu um salto, não sabia onde estava. Logo a lembrança voltou e procurou pela moça. Estava perplexo!. Tinha que conversar. Não podia perder essa mulher de vista. Era perfeita demais! Jeito de criança indefesa contrastando com o de uma putinha safada na cama. Ouviu vozes que vinham da cozinha. Eram gritos! Alguns barulhos, coisas se quebrando. Assustou-se. Saiu rapidamente do quarto em busca de sua amada.
- Paulo, - um grito – SOCORRO! – Era ela.
Ele correu para a sala e a encontrou descabelada, o vestido rasgado revelando a brancura do seio. O rosto vermelho, parecia que chorava.
- Me salve. – Apontou para o homem do outro lado. Magro, meio calvo, usava terno e parecia bravo. – Só você pode me ajudar.
Avançou sobre o homem como um touro, o vermelho da irritação dificultando sua visão e fazendo-o desejar apenas um objetivo: aniquilar quem ameaçava a garota. Jogou um cruzado com a direita mas o homem de terno se abaixou. Tentou um soco de esquerda mas também errou. Sem titubear, agarrou o adversário pela cintura e tentou derrubá-lo. Com uma agilidade surpreendente, principalmente por causa do terno, o outro se safou e foi se refugiar atrás de uma grande mesa de jantar.
Irritado pela fuga do adversário, pois queria mostrar à mulher sua força e habilidade, o grandalhão correu para atacá-lo novamente, mas o outro fugia pelos lados da mesa, tornando a situação um pouco ridícula.
- Tome. – Ela gritou e jogou um objeto ao seu salvador.
Paulo viu em suas mãos um revólver preto de cano curto. Nunca havia atirado, mas sabia que era só apontar e apertar.
- Parado! – Gritou para o magro que fugia. A arma queimava em suas mãos.
O careca levantou os braços, uma expressão de espanto na face. Paulo quase sorriu, havia controlado a situação. A mulher ficaria muito agradecida.
Ela andou até Paulo, as ancas girando ao redor do corpo, os cabelos cobrindo a parte desnuda do seio.
- Você me salvou. – O hálito quente, doce, embriagou os pensamentos de Paulo. O aroma daquela mulher o viciava.
E agora?
Que estamos aqui,
Desejo e ternura
Um gosto que dura
Uma eternidade!
Um gozo contido
Lascivo, libido
Senhora de minhas vontades!
Ela contornou a mesa e aproximou-se do homem de terno. Paulo aproveitou para apreciar sua bunda. Manu olhou-o sorrindo com escárnio nos lábios avermelhados. Apoiou os dois braços no peito do homem e soltou as pernas, prendendo-se nele para não cair. – Não! – Gritou, fingindo que era atacada. – Não faça isso, por favor. – Gemeu e atirou-se ao solo.
Paulo apertou o gatilho três vezes. Os projéteis acertaram o peito do homem careca, ainda estático pela atitude da mulher. Despencou para trás e permaneceu do jeito que caiu.
- Você me salvou. – Disse novamente a mulher. – Me ajude. – Esticou as mãos e ele a levantou do solo. – Meu herói. – Sussurrou. Ele ainda estava aturdido, porém a calma da mulher o controlou. – Esse sacana – apontou o cadáver – era um homem muito mal, não se preocupe. – Chegou o rosto para perto de Paulo. – Agora esta tudo bem, amor.
Beijou-o levemente.
- Espere um pouco. – Falou de súbito. Beijou-o mais uma vez, pegou sua bolsa e saiu rumo ao quarto. – Vou me arrumar.
Quinze minutos depois Paulo começou a estranhar a demora da garota. Procurava-a no quarto quando foi surpreendido por dois policiais que entraram de supetão.
-Parado aí! Mãos na cabeça!. - Tinham revólveres e apontavam para ele.
- O que houve? – Estava assustado e sincero, nem lembrava do corpo na sala.
- Esse revólver é seu? – Perguntou um dos policiais.
Viu a arma que ainda estava na cabeceira da cama, exatamente onde a colocara.
- Sim, ou melhor, não. É da mulher... – Como iria explicar?
- Que mulher? - Olharam em volta...
- Manuela, deve estar no banheiro. - Revistaram tudo e nada da garota.
- Tinha uma mulher comigo! O homem na sala era seu padrasto.
Foi arrastado para a sala, onde outros policiais cercavam o corpo do careca e o cutucavam com o pé, para assegurar a mortalidade.
- Qual o sobrenome da mulher? – Perguntou o policial. Acertou um cascudo em Paulo para chacoalhar sua memória.
- Eu não sei. Conheci ontem. – Confessou. E foi a única coisa que esclareceu com clareza, pois não conseguia explicar o porquê de matar aquele velho policial, corrupto, que era odiado e temido pelos colegas.
- Será que é a mesma mulher que ligou para a delegacia? – Perguntou o policial que segurava as algemas.
-Talvez.... – Respondeu o delegado, relembrando da suave voz de operadora de telemarketing que o informou por telefone que um idiota havia matado o José Roberto, o cadáver no chão, e que ainda estava na casa.
- Algeme o elemento! - Levaram Paulo para a delegacia. Estava perdido! Quem iria acreditar nele?
No prédio da esquina, olhando por uma janela os carros da polícia em frente à casa do policial assassinado, a ruiva acendeu um baseado e tragou fundo. Lembrou-se de quando o policial quis trepar com ela como pagamento por recuperar sua BMW roubada. Quantas pessoas o sacana não havia abusado através do poder do seu distintivo? Não importa, ele não faria mais isso.
Você se diz meu amigo,
Amigo incondicional,
De todas as horas,
Me beija se choro,
Me abraça se beijo,
Se aproveita,
Me deita,
Me possui...
Um conluio
De dias...
Amor,
Mata meus inimigos pra mim?

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