terça-feira, 10 de julho de 2007

João da Silva em apuros - Cap III


Gavetas reviradas, papéis aos montes pelo chão


De repente, um barulho na sala da diretoria...
-O que você faz aqui João? Era o chefe imediato saindo apressado.
-O meu horário é as 7:00h. O diretor pediu que eu fizesse doze horas, das 7:00 às 19:00h.
-Justo hoje? Você tinha que levar tudo ao pé da letra? Hoje é sexta-feira, começasse na segunda.
-O senhor quer que eu chame a polícia?
-NÃO. Esqueça que me viu aqui.
-Claro...
-Você não entendeu. Se quer continuar com saúde apague esse nosso encontro da mente. Dê-me vinte e cinco minutos e chame a polícia. Ah, liga para a casa do Prefeito, do Diretor e para a minha casa também.
-Para a sua? Ele estava com medo do que iria ouvir.
-Em que planeta você mora João? Sim, eu sou o chefe lembra-se? Tenho que ser avisado do roubo.
-Mas...
-Não preciso dizer não é? Olhos que não vêem, ouvidos que não escutam e boca que não fala. Saiu e eu fiquei olhando para tudo, perdido, sem saber como agir. A coisa era muito séria. Eu já tinha ouvido falar de pessoas que sofriam atentados por falar demais. Onde eu tinha amarrado minha égua? Por que aquilo tudo? O que de tão valioso existia ali para ser roubado? A primeira vista nada havia sido levado.
Corri ao telefone e...
-Droga! Tinham levado o aparelho.
Chamei a polícia e ia respondendo maquinalmente a todas as indagações.
-O senhor deu falta do que especificamente?
-O aparelho de telefone. O aparelho de som. O aparelho de café...
-Aparelho de café? Olhou o policial espantado.
-Sim. Era usado para receber visitas no gabinete do senhor Prefeito.
-Onde estão seus chefes?
-Dormindo. Eu vou chamá-los.
-Não chamou ainda?
-Sim, quer dizer...chamei meu chefe, deve estar chegando.
-Com quem mais falou?
-Ninguém.
Ele estava todo atrapalhado, afinal era a primeira vez que passava por um roubo.
O chefe chegou e assumiu seu lugar para as devidas explicações aos policiais.
-O senhor pode nos dizer se falta algum documento importante?
-Com certeza. Só de verificar o arquivo que foi arrombado já adianto aos senhores: Isso foi crime político. Alguém levou documentos importantes referentes à contratos de Empreiteiras.
-Quem teria interesse em roubá-los?
-Ora policial quem? A oposição, os inimigos políticos, muita gente, ora...
Eu sabia que era lorota. Algo bem mais grave estava por trás disso. Eu ia ter que descobrir, ferrado por pouco, ferrado por inteiro, agora era tarde para fugir.
Naquela noite em casa tive minha primeira crise de impotência...
-Isso nunca aconteceu comigo. Dizia à mulher cabisbaixo.
-Não ligue querido. Isso acontece nas melhores famílias. Passa...

(continua...)

3 comentários:

Mão Branca disse...

me, tá confuso.

Barbara disse...

Eu não achei confuso, mas ainda tá previsível. Qdo tem mais?

Mão Branca disse...

me, eu só tinha lido o 3. agora dá para entender.
hehehe