quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Pai no osso


Pai,
O osso que está no céu
Tem gosto de salsificado,
Tem pão e vinho ao lado,
Que alimenta os reis.
E a fome de cada dia
Deixo na cama dos homens,
Onde destilo uma Ave Maria
Para limpar a porra
Dos meus santificados dias.

Pai osso que está no inferno,
Roubou meu silencio eterno
E se hoje tenho fome,
Devo a ti.
Quero alimentar o prato,
No cérebro, no peito, no tato,
Antes que finde em inanição.

Pai osso de minha maldição,
Venha a nósE ao nosso reino,
Seja feita a tua vontade,
Corte a minha lingua,
Apague minhas obsenidades
Ou suje os olhos
Dos tolos que aqui lêem minhas verdades...
E me mate, impedindo-me de ser ateu.

Pai no osso
Mandou-me o filho
O espírito espantei
O santo gozei
Bem na hora
De nossa morte
Amei

Se estás no céu
Venha aqui
No nosso reino
Seja feita a vontade
Assim na terra
Como na lama.

O pão nosso
De todo dia
Dai-nos hoje pai
Que estou cheia
De tanta agonia

Perdoai as minhas ofensas
Assim como eu te perdôo
Pelas amarguras e indiferenças
Não me deixes cair em tentação
E livra-me dos ruins
Só vodcka pura e afins
Amém.


Me
(foto de Francisco Garrett)

2 comentários:

Lena Casas Novas disse...

Tô te indicando em vários blogs.Não sei onde vamos parar..rsrsr...

Me Morte disse...

Eita que vc é porreta!Beijos